“agir, fintar a besta, cumprimentar e desandar”

“(…)

Inventaste a chaleira-biberão,

o candeeiro-moca e um sem número

de objectos-truques, isto é, sobrevivência.

«Resistamos, depois se vê…», não é, Carlitos,

tua filosofia?

Mas resistir foi, para ti, agir,

fintar a besta, cumprimentar e desandar.

(coco e bengala, casaqueta e bota,

em Vevey já há muito que desbotam.)

- Alexandre O’Neill, Charlotarde

“Já não é o escritório de mil fichas,

nem a garagem, a universidade, o alarme,

é realmente a rua abolida, lojas repletas,

e vamos contigo arrebentar vidraças,

e vamos jogar o guarda no chão.

(…)

Colo teus pedaços. Unidade

estranha á a tua, em mundo assim pulverizado.

E nós, que a cada passo nos cobrimos

e nos despimos e nos mascaramos,

mal retemos em ti o mesmo homem

(…)

ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e esperança.”

- Drummond de Andrade, Canto ao homem do povo Charlie Chaplin.

 

A Débora juntou as peças, o tema ameaçava obrigar a tirar o chapéu e eu quis pagar o bilhete para ver. Fica a certeza de que este poema de Drummond é uma das mais belas homenagens que já li.

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