“Mel”, os sonhos não se espalham, assim, por aí.

Saí esta tarde da exibição de “Mel”, no Campo Alegre, com a floresta turca ainda a tocar nos ouvidos, quando me apercebi que de o filme de Semih Kaplanoglu não tem banda sonora.

O que se ouve? Os sons familiares de uma massa de bolo a ser batida na cozinha, uma lareira acesa junto à cama, uma maçã a ser partilhada, um lápis a riscar esses no caderno da escola, um gaguejo que, finalmente, recebe palmas. O estalar do tronco de uma árvore. O sussurro dos sonhos – é que os sonhos não se espalham, assim, por aí.

Neste universo desacelerado com simplicidade, não perde nem a narrativa, nem a atmosfera.

E quando Yusef mergulha na água do balde a tentar agarrar o reflexo da lua, parece que está a apanhá-la para nós. Já diziam as personagens do L’Atalante, do Jean Vigo, que quem mete a cabeça debaixo de água e abre os olhos vê aí a pessoa amada. Ou o céu.

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