Questão de pontuação

MOTE PARA UM BOM LIVRO

Há uns tempos andava tudo maluco por esses blogues fora com a história do ponto de exclamação. Que “prolonga a histeria do autor, a gritaria, e muitas vezes a sem-razão de um texto, para não mencionar a agressividade ou o gosto português pela indignaçãozinha”, que era preciso bani-lo. Que é preciso controlar tanta histeria.

Eu ri-me, indignei-me (com os pontos de exclamação todos) e lembrei-me daquele poema de João Cabral de Melo Neto chamado Questão de Pontuação e que diz assim:

Todo o mundo aceita que ao homem/

cabe pontuar a própria vida:/

que viva em ponto de exclamação/

(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação/

(foi filosofia, ora é poesia);/

 viva equilibrando-se entre vírgulas/

e sem pontuação (na política);

o homem só não aceita do homem /

que use a só pontuação fatal:/

que use, na frase que ele vive /

o inevitável ponto final.

É imperdível este post no Tio Vânia, que explica como “Fiódor se safou de boa” por ter escrito antes da era dos blogues:

“Acabo de ler uma página com 14 reticências e 22 pontos de exclamação, e ainda uns quantos de interrogação, e travessões também. Mas que histeria, a deste autor! Sorte a dele, não andar por aí hoje, a escrever livros. Ou blogues. Isso então ainda era pior!”

Ah!

One thought on “Questão de pontuação

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s