Quando aqui não estás, Al Berto

SUGESTÕES DE LEITURA

“Quando aqui não estás /

o que nos rodeou põe-se a morrer/

a janela que abre para o mar/

continua fechada só nos sonhos/

me ergo/

abro-a/

deixo a frescura e a força da manhã/

escorrerem pelos dedos prisioneiros/

da tristeza/

acordo/

para a cegante claridade das ondas/

um rosto desenvolve-se nítido/

além/

rasando o sal da imensa ausência/

uma voz/

quero morrer

com uma overdose de beleza

e num sussuro o corpo apaziguado/

perscruta esse coração/

esse/

solitário caçador

Al Berto, Vigílias. Assírio & Alvim, 2004

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