Não importa

MOTE PARA UM BOM LIVRO

Amanhã tudo será pior

ainda, eu sei: o hábito, a inércia,

o sem remédio da vida – tão pouco

haverá a salvar.

Por toda a cidade os desconhecidos

subirão outro degrau para o escuro

da noite, e a memória será talvez

um remorso:

aquela manhã de sol

na varanda, o espanta-espíritos

com peixes de alumínio num rosário

de contas profanas.

Ainda o tens? Ainda canta,

de madrugada, se o vento sopra

do mar?

Não importa. Foi sempre de menos

o muito que pedimos

e a parte que tivemos.

Rui Pires Cabral, “Espanta Espíritos” in Capitais da Solidão. Teatro de Vila Real, 2006

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