Para te falar, agora até uso vírgulas, Maria da Glória.

TEATRO/ PERFORMANCE

Uma peça sobre um país que espera a espera, com ais de tricotar e não voltar. Ladainhas de rezar karaté.

Nós, na plateia, queremos que o Paizinho volte, num dia de nevoeiro, e que as doze servas deixem de meter os pretendentes todos na cama.

No palco à vela há um filho de uma mãe e ambos se aguardam no regresso de um Ulysses, com saudade e medos cheios de mar. Nunca o luto, tudo menos o luto!

Mesmo quando te mandaram atirar ao mar, Maria da Glória, e o Pathos te trouxe de volta pelo bico, havia menos espuma do que há hoje. Os últimos dias, percebo agora, assinam bem esta nossa marca portuguesa. Tantas saudades do futuro, tanta infância que aparece para nos olhar de frente. Com um guarda-chuva de chocolate Regina a sujar a boca e a derreter nas mãos.

Agora não, que o Paizinho quer ver isto, não vês que o Pai quer ver isto? Para te falar, agora até uso vírgulas, Maria da Glória.

Com texto e encenação de Cláudia Lucas Chéu, “Glória ou como Penélope morreu de Tédio” é imperdível.

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