Blogue Literário do Porto
o lugar onde se cruzam músicos e artistas, escritores e leitores, telas e livros.Feira do Livro no Maria Vai Com as Outras
“Uma oportunidade para preencher lugares vazios na estante.”
Dias 12, 13 e 14 de Fevereiro na Rua do Almada, 443 Porto. Saber mais no blogue do espaço.
“É o meio da vida.”
“A estrada ia entre campos e ao longe, às vezes, viam-se serras. Era o princípio de Setembro e a manhã estendia-se através da terra, vasta de luz e plenitude. Todas as coisas pareciam acesas.
E, dentro do carro que os levava, a mulher disse ao homem:
- É o meio da vida.
Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas, as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse.”
Sophia de Mello Breyner Andresen, in “A Viagem”, Contos Exemplares. Figueirinhas, 2006 (36ª edição)
Abaixo, os People Press Play tocam Frail.
Apresentação do livro “Tomás Gonzaga-Em Busca da Musa Clio”
O evento assinala os 200 anos passados sobre a morte de Tomás Gonzaga na Ilha de Moçambique. A obra de Danyel Guerra consiste num ensaio histórico que sublinha os momentos mais importantes da vida e obra do poeta e vai ser apresentada no próximo dia 12, pelas 18h00, na FNAC de Santa Catarina.
Pedro e Inês no Progresso
No próximo dia 11, no Café Progresso, pelas 21,30, Pedro e Inês rondarão as nossas vidas e as nossas mortes sob o signo da ironia e da dor como comédia sublime revisitando os nossos quotidianos, mesquinhos, sonhados e tantas vezes violentos.
Pedro e Inês – 11 emendas e 1 estória. Emendas para salvar Inês – Inès, Agnes, Inese, Ineschka? Mas em boa verdade: acaso se pode emendar seja o que for? Ou apenas ler um anúncio de jornal, ouvir uma mensagem de despedida, desconfiar da estabilidade das cadeiras?
O problema é o D. Afonso IV que está dentro de nós.
Esta peça de Pedro Eiras é uma comédia sobre a morte (aliás, como todas as outras comédias).
Leitura encenada e direcção de Nuno Meireles.
Interpretação de Nuno Meireles e Catarina Barbosa.
Conversa com o autor, moderada por Marinela Freitas.
Apresentação de “a máquina de fazer espanhóis” no Porto

É já no próximo dia 11 de Fevereiro, pelas 21h30, na Biblioteca Almeida Garrett. A apresentação da obra está a cargo de Isabel Pires de Lima.
Clicar aqui para mais pormenores.
Roteiros de cinema e teatro com download gratuito

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo disponibiliza gratuitamente em versão online quase todos os títulos da colecção Aplauso.
”São roteiros, biografias de artistas, atores, cineastas, dramaturgos, roteiros de cinema e de teatro e histórias de emissoras de TV acessíveis para qualquer um. Um dos títulos publicados há pouco tempo foi a biografia de Fernanda Montenegro, que completou 80 anos em 2009. “
O Café História chama-lhe uma “combinação entre internet, boa vontade e senso de democratização cultural” ao dar a boa notícia. Para fazer o download dos e-books clicar aqui.
A escrita como um truque
“Conheci muitos poetas que escreveram bem – coisas muito boas – de um modo delicado e por aí adiante – mas se falar com eles, só lhe contam histórias obscenas ou falam de política da mesma forma que toda a gente fala; portanto o que escrevem é na verdade uma questão secundária. Aprenderam a escrever do mesmo modo que se pode aprender a jogar xadrez ou a jogar bridge.(…) Eles não eram realmente poetas ou escritores. Aquilo era um truque que eles aprenderam, e aprenderam-no por completo”
- Jorge Luis Borges in Entrevistas da Paris Review, Tinta da China Edições. 2009
Escrever é partir lenha
“Isto pode parecer muito pomposo mas na verdade acho que elas [as críticas] têm, uma má influência sobre mim, e mesmo as boas deixam-nos um bocadinho envergonhados. Na realidade, acho que o melhor método é levantarmo-nos cedo, insultarmo-nos um pouco ao espelho enquanto fazemos a barba e depois fingir que estamos a partir lenha, o que é realmente o maldito trabalho que fazemos (…)”
- Lawrence Durrell in Entrevistas da Paris Review, Tinta da China Edições. 2009
Agarrar o poema sem que a cauda lhe caia
“A poesia acabou por se revelar uma amante extraordinária. Porque a poesia é forma, e o namoro e a sedução da forma é a regra do jogo. (…) Escrever um poema é como tentar apanhar um lagarto sem que lhe caia a cauda. Só havia um miúdo, na minha escola, capaz de apanhar um lagarto intacto. Ninguém sabia como ele conseguia fazer aquilo. (…) Esta parece-me ser a melhor analogia que lhe posso dar.”
- Lawrence Durrell in Entrevistas da Paris Review, Tinta da China Edições. 2009
Cartas de Amor de Pessoa

A CORRESPONDÊNCIA AMOROSA COM OPHÉLIA QUEIROZ, O ÚNICO AMOR CONHECIDO DO POETA: As cartas aqui apresentadas são fruto da correspondência amorosa entre Fernando Pessoa e Ophélia Queiroz, que teve lugar entre 1920 e 1930, e demonstram a faceta mais íntima e privada do poeta.
Não sei se ficaremos a saber mais sobre Pessoa ou sobre o Amor. A obra é publicada pela Zéfiro e pode ler-se um excerto online aqui.
Cinema em Fevereiro na Cadeira de Van Gogh
Todas as Quintas-Feiras, pelas 21h30, na Cadeira de Van Gogh. Um sítio onde se quer sempre voltar.
All new today: “Nicotina Magazine”!
Com cinema, música, arte, dança, teatro, literatura e até uma secção dedicada aos vícios, com destaque para os fumáveis e os bebíveis, surge uma nova revista online “de alta cultura. Subversivo, pós-revolucionário e viciante.” Logo à cabeça procuram-se poetas sem medo.
A coisa promete.
“Aqueles que não resistem são sempre mais amados “
“A sobrevivência, tal como a honra, essa palavra importante fora de moda, é tão difícil hoje como sempre foi e é fundamental para um escritor. Aqueles que não resistem são sempre mais amados porque ninguém terá de os ver na mais longa, patética e inexorável luta sem quartel a que têm de se entregar, ao acreditarem que podem fazer alguma coisa antes de morrerem.”
- Ernest Hemingway in Entrevistas da Paris Review, Tinta da China Edições. 2009
Rosa Lobato de Faria (1932-2010)
Do comunicado da Porto Editora, citado aqui a partir do blogue Cadeirão Voltaire:
”É com enorme pesar que a Porto Editora comunica o falecimento de Rosa Lobato de Faria. Como é do conhecimento público, a autora encontrava-se internada desde a passada semana devido a uma anemia grave da qual, infelizmente, não conseguiu recuperar. “
“Cânones”, João Tordo parte a louça
“O argumento fácil é que os cineastas ou escritores “comerciais” fazem os filmes que o público quer ver e ler, enquanto os outros, os “autores”, fazem os filmes e escrevem os livros que apenas uns quantos podem ver ou ler porque são incompreendidos pela maioria – e com isto, regra geral, querem dizer que a maioria é demasiado estúpida para os compreender quando a verdade é que, regra geral, são demasiado estúpidos para se compreender a si próprios. A falácia também é óbvia: se tal fosse verdade, todos os cineastas ou escritores comerciais seriam tão maus como o Dan Brown ou o Jerry Bruckenheimer, e todos os outros seriam tão geniais e esquecidos como Kafka o foi, à sua época. Porém, a verdade é muito mais dura. A verdade é que, por causa dos cansativos cânones que criam estas dicotomias na cultura em Portugal, grande parte do cinema e da literatura chamados “eruditos” são tão maus como as suas versões comerciais, mas disfarçados com lirismo bacoco, ausência de narrativa, e preguiça generalizada.”
- continuar a ler o post no blogue de João Tordo.
Por favor, leiam!
“Como identificar um livro bem editado?”
“São vários os factores essenciais, mas dividem-se em duas áreas fundamentais: os aspectos relacionados com o texto (não com o conteúdo, bem entendido, essa é uma outra questão) e os aspectos gráficos. No que respeita aos aspectos relacionados com o texto, evidenciaria aqui a tradução e a revisão.”
- post de Jorge Colaço para ler no Retentiva.
Uma história para começar
“- Qual será o melhor treino intelectual para o aspirante a escritor?
- Digamos que ele devia enforcar-se por ter descoberto que escrever bem é tremendamente difícil. Depois devia ser esquartejado sem piedade e forçado por si próprio a escrever tão bem quanto possível para o resto da vida. Pelo menos, teria logo a história do enforcamento para começar.”
- Ernest Hemingway in Entrevistas da Paris Review, Tinta da China Edições. 2009
A continuar assim
não faço mais nada senão ler blogues. Descobri por este post no Bibliotecário de Babel que Filipe Guerra tem um blogue. Desatenção minha. Corrige-se já.
A minha geração não deve fazer ideia de como serão os russos traduzidos por outras pessoas que não Nina e Filipe Guerra, à excepção das obras traduzidas já de uma tradução para o inglês.
“Depois, 150 anos depois, ainda se continua a descrever Tchékhov como o mestre da nostalgia, quando se trata de melancolia, doutores, que no tempo dele era uma doença (e no nosso tempo, se fores ao psicas e pagares bem), a melancolia dos escritores russos tal como a dos escritores de Istambul tão bem descrita pelo tchekhoviano Orhan Pamuk em Istambul (Presença), e, 150 anos depois, ainda se continua a dizer Cerejal ou, ainda mais poeticamente, Jardim de Cerejas, quando se trata de Ginjal, doutores, um grande pomar de ginjas para comercialização e industrialização (a cereja na época era demasiado frágil para isso), pomar que foi derrubado pelo pragmatismo económico da época e cujas machadadas melancólicas no abate arborífero deram azo ao mais belo momento de teatro que jamais vistes na vida, doutores.”

